terça-feira, 23 de junho de 2009

Um Evangelho para os excluídos.




Série de Mensagens nos Evangelho de Marcos.


Marcos 2:13-17.

Introdução:




Todos nós já nos sentimos excluídos um dia. Como aquele que esperava com uma expectativa descomunal por um convite para a festa da escola e não foi convidado. Ou como aquele que se esforçou para conseguir a classificação na vaga do emprego sonhado e não conseguiu. A vida humana é seletiva. Passamos constantemente por seleções que nos fazem sentirmos pequenos, para baixo, sem motivação. O ser humano conseguiu transformar cada estágio da vida em um peso a ser vencido pelas características e moldes de uma sociedade movida por medidas e aparência estética e intelectual. Não é interessante como em épocas remotas as formas físicas mais apreciadas eram as robustas, quando hoje luta-se pela magreza sem limite? Não é de assustar quando em décadas passadas primava-se pela experiência, quando hoje pelo diploma técnico? Em todas essas questões entendemos que a vida a cada dia que passa torna-se mais seletiva. Nossos filhos tem ido para a escola cada vez mais cedo e saído das salas de estudo cada vez mais tarde para uma vida que ditará quais requisitos eles deverão cumprir para se sentirem aceitos ou serem reconhecidos pela sociedade.

Transição:




É nessa ótica que encontramos os valores do reino descrito pelo evangelista Marcos no capítulo 2 de seu evangelho. Jesus está passando ainda por Cafarnaum, cidade importantíssima para a expansão de seu evangelho. Nessa passagem por essa cidade nenhum mestre da lei o recebe em sua casa, mas ele encontra descanso e atenção aos seus ensinos por uma casta de pessoas rejeitadas pelos detentores da Palavra. Os próprios judeus se sentiam exclusivistas da herança de Deus. E conseqüentemente dentro do próprio judaísmo se excluía também aqueles que não se enquadravam às regras do judaísmo. Sendo assim, havia na terra santa uma enorme quantidade de pessoas que apesar de alguns terem uma posição privilegiada diante do poder que dominava as circunvizinhanças de Jerusalém, eram excluídos segundo os doutores da lei do Reino de Deus. Entre esses os publicanos, cobradores de impostos. E foi exatamente esse povo que acolheu o ministério de Cristo, e foi nesse meio que as maiores curas e transformações aconteceram. Jesus se assentava com eles e os ensinava. Mostrando que a realidade do reino de Deus não era excluir, mas trazer de volta aqueles que haviam se perdido. Esse ainda tem sido o principal motivo de Deus permitir e manter viva a sua igreja. Independente de denominação, a igreja também é um lugar para acolher os que de alguma maneira ainda se sentem rejeitados, marginalizados e carentes da graça Divina. Por isso entendemos que:

I) Ser discípulo de Cristo diferente do que se pensa, não é uma questão de local ou posição, mas sim, uma questão de decisão. (v:14).


- Jesus passando por algum lugar de Cafarnaum, encontrou-se com Leví, também conhecido por Mateus e o chamou para segui-lo. Ser seu discípulo. Esse Levi trabalhava em uma coletoria de impostos. Eram considerados inimigos e traidores do povo, porque além de estarem a serviço de Roma, também extorquiam o povo, cobrando mais do que o estipulado.
- Um judeu que aceitasse tal ofício era expulso da sinagoga e automaticamente envergonhava sua família.
- Diz o texto que Jesus passando viu Levi e o chamou. E esse chamado foi irresistível á ele que deixando tudo imediatamente o seguiu.
- O chamado de Mateus (Leví), deve-nos ensinar algumas verdades a respeito daqueles que realmente consideramos sem condições e excluídos da salvação: O mesmo Jesus que chama quebra cadeias e abre corações. O vento do espírito sopra onde quer. O tempo dos milagres ainda não passou, por isso não existe pessoas impossíveis para Deus. Ele (Jesus) continua chamando discípulos para si.
- Independente de que posição uma pessoa possa estar. Jesus não olha com os olhos dos homens, nem valoriza a nossa estética. Ele chama e atrai todos para si. Aqueles que prontamente atende seu chamado encontra a graça e um lugar para servi-lo.
- Para ser um discípulo de Cristo é preciso negar-se, deixar de ser o que eu quero e abrir-se para sermos o que Ele quer. Mateus deixou de ser um publicano e passou a ser um discípulo de Cristo. Passou a ser direcionado por ele por toda a sua vida.
- Aqueles que atendem ao chamado de Cristo passam a ter um senso de direção de vida. Deixa de existir para viver a vida que Cristo.
- Em Cristo nós temos a oportunidade de sermos úteis e servirmos a ele independente de posição.

II) Deus vê em mim mais do que eu mesmo posso ver. (v:15).


- Aos olhos dos judeus aquele grupo de pessoas era a escória da sociedade. No entanto aos olhos de Cristo eles tinham um valor incalculável diante de Deus. Jesus não descartou a necessidade deles, e nem fechou os olhos para a enfermidade de cada um. O texto diz: os sãos não necessitam de médico, mas sim os doentes...
- Jesus não ignora as nossas enfermidades, mas ele vê além disso. E sabe do potencial que cada pessoa, por mais debilitada espiritualmente tem. E por isso ele chama, transforma e usa conforme o seu querer.

- Jesus não foi buscar seus discípulos entre os estudantes de teologia das escolas rabínicas. Nem dentre a elite sacerdotal. Nem mesmo chamou aqueles de refinado saber, ou possuidores de riquezas, mas recrutou-os das classes operárias, no meio dos pescadores. Ninguém como Deus creu tanto no homem comum.

- Abraão Lincoln foi feliz em dizer: Deus deve amar muito as pessoas comuns pois fez muitas delas.

- Deus não precisa e nunca precisou de estrelas, mas sim, homens chamados e capacitados pelo Espírito Santo.
- Mateus foi chamado de dentro de uma classe chamada Publicanos. E foi feito um discípulo de Cristo, caminhou com ele e aprendeu dele. E isso o transformou em um discípulo de valor. Tanto que um dos evangelhos leva o seu nome.
- Deus pode transformar a vida daqueles que sentem-se desvalorizados e marginalizados. Levando-os a ter uma vida de sentido e produtiva para Deus.
- Foi e sempre será assim na história.
- Conta-se que em Topeka, Kansas havia um Instituto Bíblico para brancos. Um dia um professor chamado Charles Parran encontrou-se com um jovem baixo, negro e cego de um olho chamado Willian Seimor que lhe perguntou se podia estudar com co ele. Ao que o mesmo respondeu que não. O jovem insistiu se poderia estudar nem que fosse do corredor da sala, ao lado de fora. Até que o professor respondeu que do lado de fora da sala não poderia impedir. E Willian Seimor estudou com Charles Parran do lado de fora da sala. E como Deus valoriza o esforço e a determinação do homem, chamou-o para pastorear uma Igreja em Los Angeles. Uma Igreja pobre situada na Rua Azuza. Ali Willian Seimor para pregar usava um caixote de tomates como púlpito para pregar. Um dia em meados de 1900 para 1901, em uma vigília, Deus derramou o seu espírito sobre os presentes ali na rua Azuza, em Los Angeles. De modo que muitos Pastores do mundo inteiro foram até lá para receber a unção e o poder de Deus através da vida de Willian Seimor. E se hoje temos o movimento Pentecostal aqui no Brasil e em diversas partes do mundo é devido a decisão e superação daquele jovem, negro, baixinho,gordinho e cego de um olho que não tinha posição nenhuma, mas, que um dia decidiu: eu vou ser um discípulo de Cristo nessa terra.

III) A verdade sempre vai incomodar e atrair oposição. (v:16).



- Sempre haverá aqueles que se acha justos demais, bons demais e exclusivos de Deus para aceitar algumas de nossas atitudes.
- Você já reparou que Jesus sendo Deus, fez tudo o que não deveria ser feito aos olhos dos religiosos da época?
- Comeu com pecadores.
- Tocou em gente imunda (lepra).
- Conversou com uma mulher. (Samaritana).
- Comeu sem lavar as mãos. (Junto com os discípulos).
- Curou no sábado.
- Enfrentou autoridades. (fariseus, saduceus e escribas).
- E deixou de jejuar duas vezes na semana como mandava a lei dos fariseus. Vale lembrar que Jesus não estava contra o jejum. Ele também jejuava. E fazia o que mandava a lei em sua essência. No entanto recriminava o faze-lo de aparência. Para dar show. Para parecer mais espiritual. Assim como também outras atitudes hipócritas dos fariseus e mestres da lei.
- A verdade sempre vai ter opositores. Na verdade sempre vimos na bíblia que a verdade tem poucos amigos. Por isso nunca ache que uma revelação de Deus pra sua vida e ministério abrirá caminhos sem esforço, determinação e até mesmo feridas dentro de sua denominação, ministério ou vida profissional. Esse momento é aquele que você anda sobre essa terra e se acha só, sem muitos amigos e até sem família como no caso do próprio Cristo. No entanto vemos também nos Evangelhos que Jesus tinha um senso de direção determinante em seu ministério. Ele sabia onde deveria ir e qual era o motivo de estar nessa terra. E ninguém conseguiu tira-lo de seu objetivo. O inferno conspirou contra ele, incontáveis vezes. No entanto, ele seguiu firme, ficou sozinho nos momentos que mais precisou de compania, mas tinha o conforto de saber que o que ele fazia agradava o Pai.


Conclusão:




Lembre-se disso: você pode ter oposição quanto aos seus ideais e até mesmo quanto ao seu ministério. Mas, o que você precisa ter em mente é que você tem um objetivo nessa terra e esse não poderá ser abandonado,ou, deixado de lado por isso. Decida ser um discípulo de Cristo. Mesmo que excluído das grandes cadeiras dos magistrados. Deus conta com você!!! Foi assim com Mateus e com outros que surgiram na história.
- Afinal, se Jesus não usasse Mateus, onde estaria o primeiro Evangelho das escritura Sagradas?
- Deus pode investir em você?

Que Deus nos abençoe!!!


Pr. Fábio Ramos
IPR de Marília-SP

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