quinta-feira, 10 de setembro de 2009

UM CHAMADO PODEROSO AO ALCANCE DE PESSOAS FRÁGEIS.


Série de mensagens no evangelho de Marcos

Marcos 3:13-19

Introdução:


Você com certeza ja passou por isso,ou já viu alguém passar. Estão todos reunidos, dividem-se os grupos, e lá está você para ser escolhido entre alguns. Gradativamente escolhem um a um e você está lá esperando que te chamem para um deles. Após a escolha dos melhores, até que enfim resolveram te escolher. Não porque você era bom, ou o melhor, mas porque estava num grupo para ser escolhido. Afinal, o jogo,o grupo de estudo precisava de mais pessoas. Mesmo que não tão boas assim, mas precisava.

Transição:


Isso te lembra alguma coisa? Jesus também escolheu doze homens e os chamou. O que seria dos discípulos que conhecemos se Jesus seguisse o mesmo critério que usamos hoje em nossas escolhas? Olhe para o texto. Jesus está sendo seguido constantemente por uma grande multidão. Como estudamos no estudo anterior, alguns o viam como curandeiro, outros como libertador etc... mas no meio dessa multidão Jesus faz o inusitado: ele escolhe doze homens para estar com ele (v12). E no seu propósito, Jesus resolveu ensinar, gastar tempo, escolher homens para dar continuidade à sua grande obra. E isso tem ocorrido a partir dessa atitude de Jesus pelos anos que se seguiram até nossos dias. Mas,o que devemos entender, sobre esse processo de escolha de Jesus e sua obra nos dias atuais da igreja?

I) Jesus chama a quem ele quer, independente do que as pessoas acham. (v:11).

- Diferente do que muitos acreditam e fazem, Jesus escolheu homens que aos olhos naturais não seriam escolhidos por ninguém.
- Parece loucura. Mas, porque Jesus não procurou entre os doutores da lei? Os fariseus, ou os escribas que eram muito bem preparados. Porque Jesus foi em direção à praia para escolher dentro daquela multidão homens sem qualidade nenhuma, não eram endinheirados e nem faziam parte de nenhuma classe social influente para o cumprimento de uma obra que seria para a vida toda?
- Jesus escolheu esses homens comuns, limitados, pobres, iletrados e de temperamento explosivo que nós jamais escolheríamos para mostrar que seu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Pois, ele é quem ensina, equipa e capacita os seus escolhidos.
- Com aqueles homens ele transformou o mundo que conhecemos. Ver. Hernandes Dias Lopes cita que “famosos reis tiveram seus nomes apagados na história, mas esses homens tem seus nomes lembrados e relembrados todos os dias por milhões de cristãos ao redor do mundo”.
- A escolha de Jesus pode parecer estranha aos olhos daqueles que estavam ali na beira da praia, mas Jesus sabia e conhecia o coração daqueles que estava escolhendo. Assim como Deus na escolha de Davi no meio dos seus irmãos: I Sm.
- Apesar de serem iletrados, simples esses homens deixaram-nos lições importantes de sua própria vida:
- A) Simão Pedro: pescador filho de João.(Temperamento impulsivo)com ele aprendemos que as vezes,os cristãos falham. Mas quando retornam a Jesus, recebem o perdão de seus pecados e o fortalecimento de sua fé.
- B) Tiago filho de Zebedeu: pescador (ambicioso, irascível e crítico): com ele aprendemos que os cristãos devem estar dispostos a morrer por Jesus.
- C) João filho de Zebedeu: pescador (ambicioso e crítico): com ele aprendemos que o poder transformador do amor de Cristo está a disposição de todos.
- D) André irmão de Simão Pedro: pescador (anelava levar os outros a Jesus): com ele aprendemos que os cristãos devem falar a respeito de Jesus aos outros.
- E) Filipe: pescador (questionador): com ele aprendemos que Deus usa as nossas dúvidas para ensinar.
- F) Bartolomeu, ou Natanael: (honesto e sincero): com ele aprendemos que Jesus admira e respeita a nossa honestidade mesmo quando aparentemente por causa delas, a princípio as pessoas o questionem.
- G) Mateus, ou Leví: cobrador de impostos: (desprezado e proscrito por causa de sua profissão considerada corrupta): com ele aprendemos que o cristianismo não se destina à pessoas que se consideram justas, destina-se aqueles que estão conscientes de que fracassaram e precisam de ajuda.
- H) Tomé: (coragem e duvida) com ele aprendemos que mesmo quando os cristãos experimentam sérias dúvidas, Jesus vai até elas para restaurar-lhes a fé.
- I) Tiago filho de Alfeu: com ele aprendemos que nem sempre o que fazemos pode aparecer.
- J) Tadeu, ou Judas filho de Tiago: com ele aprendemos que os cristãos seguem a Jesus porque crêem nele; mas, nem sempre entendem os detalhes do plano de Deus.
- K) Simão o Zelote: (extremamente patriota): com ele aprendemos que se estivermos dispostos a desistir de nossos ideais próprios e planos para o futuro, poderemos fazer parte dos planos de Deus.
- L) Judas Escariotes (traiçoeiro e ambicioso): com ele aprendemos que não basta conhecer os ensinamentos de Deus; seus verdadeiros seguidores amam-no e lhe obedecem.
- Quem sabe você se sente assim. Comum demais para realizar algo para o Senhor. Mas a verdade é que Deus é quem nos chama para os seus propósitos. Quando tudo terminar, podemos não sermos tão reconhecidos assim, mas o importante é que tudo aquilo que nos foi colocado à mão por Deus para fazermos, isso cumprimos com firmeza e dedicação, sabendo que não será em vão no Senhor!

II) Antes de nos mandar a qualquer lugar, ou exercermos qualquer ministério é imprescindível que entendamos isso: Jesus nos chama para estar com ele. (v:12).

- Jesus não chama homens para fazer. Jesus chama homens para estar.
- O pensamento de que devemos antes de tudo fazer dá-se devido à nossa cultura estressada de que o homem só tem valor se estiver ativo.
- Com Jesus isso é diferente. Não que Jesus não valoriza o trabalho. Mas quando Jesus os chamou, ele tinha em mente a formação de um relacionamento com seus discípulos de maneira que eles o conhecessem.
- Não é interessante como muitas pessoas dizem conhecer à Jesus, e muitas vezes estão até exercendo ministério na igreja, mas, não suportam passar por perdas, ou provações?
- Temos o exemplo do próprio Pedro que deixou o caminho. Abandonou os discípulos e negou a Cristo.
- Mas Jesus foi ao seu encontro, revelou-lhe o seu amor com proximidade e o trouxe de volta.
- Estar com Jesus não é só estar fazendo algo, ou estar na Igreja. Estar com Jesus é cultivar um relacionamento de aprofundamento de confiança de que aquele que está me ensinando e falando a mim é o Cristo que jamais desampara.
- Estar com Jesus é crescer na certeza de que ele não nos desampara nos dias de provações. É saber que nem tudo é religião e rituais, mas que uma festa em Caná da Galiléia pode se transformar num culto. Que a casa de um amigo pode ser o lugar para se conversar e se relacionar com Cristo em nosso meio.
- Estar com Jesus não é isolamento, é relacionamento com ele e com os outros e com ele.
- Jesus os chamou para um realizar futuro, só que mais importante do que a realização da obra, fazia –se necessário que eles conhecessem o Senhor da obra.
- Esse deve ser o nosso desejo também. Conhecer antes de tudo o Senhor da obra, que está mais interessado nela do que nós mesmos.
- A vida é o próprio ministério. Na verdade a maior necessidade do líder é ter intimidade com Jesus.
- Quem não anda com Jesus não tem credencial para ser líder na Igreja de Jesus.

III) O Chamado de Cristo para todo o cristão tem o propósito de mais do que simplesmente ser cristão, mas sim, representa-lo nesta terra. (v:15)

- Jesus chama os seus discípulos para dar a eles autoridade.
- Todo discípulo de Cristo é revestido de autoridade.
- Jesus dá aos seus discípulos poder para pregar e expelir enfermidades e demônios.
- O que mais nos inspira é que Jesus chama os seus discípulos e os envia ao mesmo mundo de onde eles foram chamados.
- O homem espiritual é alguém que tem conhecimento da autoridade que possui em nome de Jesus.
- Uma das coisas que mais me assusta é quando vejo um cristão que não conhece a força que tem e a autoridade que lhe foi outorgada pelo próprio Cristo.
- Andam cabisbaixos, sem vigor, sem motivação para exercer o ministério. No entanto precisamos entender que se Cristo me chamou, ele tem um propósito para minha vida. E não é só nos levar para o céu. Isso seria viver uma vida medíocre nessa terra. Mas, buscar crescimento espiritual para fazer diferença tanto na igreja como na vida daqueles que nos rodeiam.
- Deus conta com seus discípulos para exercer exatamente aquilo que ele tinha em mente quando nos chamou: pregar a palavra, curar enfermos e expulsar demônios.
- Essa não é só a tarefa de um pastor, mas de todo aquele que serve a Cristo como Senhor e Salvador.

IV) No chamado de Cristo, muitas vezes ocorrem mudanças fundamentais para que haja coerência entre o que realmente somos e como as pessoas vão nos ver. (v:16-17).

- Isso fazia parte da cultura antiga.
- O nome tinha muito a ver com as características da pessoa, ou com a situação que estava ocorrendo no momento do nascimento da pessoa.
- Temos vários exemplos: Icabôd: foi-se a glória de Israel. Nome dado à uma criança quando a arca foi roubada do arraial de Israel. Jacó: usurpador. Quando no nascimento Jacó já queria lutar pela primogenitura com seu irmão. Jabez: dor. Quando sua mãe deu a luz sofreu muita dor.
- E assim por diante.
- No entanto, já no antigo testamento vemos a preocupação do próprio Deus em fazer com que houvesse uma coerência entre o que o homem era e como seria visto pelas pessoas.
- Porque por mais que muitas pessoas pensem e preguem que Deus está interessado no coração do homem, faz-se necessário que se entenda que Deus espera que haja uma coerência entre o que eu digo que sou e como as pessoas me vêem. Um homem de Deus precisa não só ser denominado, mas ser visto como tal.
- Abrão:o pai exaltado teve seu nome mudado para Abraão : pai de uma multidão. Só que era necessário que as pessoas ouvissem e vissem isso nele. Por isso o milagre do nascimento de Isaque.
- Jacó: o usurpador fujão, teve seu nome mudado para Israel: o que luta com Deus, príncipe de Deus, Campeão com Deus, perseverador com Deus. E essa mudança se revelou assim que ele saiu do Val do Jaboque, onde ao invés de fugir ele enfrenta pela primeira vez os seus temores e se encontra com seu irmão.
- Quando encontramos os 12 discípulos de Jesus, vemos que houve uma preocupação de Jesus em trazer mudanças também na vida e nos nomes de alguns discípulos:
- Simão Barjonas: o filho de Jonas foi conhecido e nomeado por Cristo como Pedro (Petrós): pedra, simbolizando firmeza, estabilidade. Será que Jesus já não estava querendo tratar o caráter daquele que constantemente era levado pelo vento? Mas o que importa é que durante todo o tempo com Jesus esse homem foi trabalhado por ele. E após o último encontro de Jesus com ele uma transformação profunda ocorreu em sua vida. Ao ponto de no dia de Pentecostes, ele se levantar e firmemente anunciar o evangelho do reino para conversão de 3 mil almas.
- João: o agraciado, devido a sua firmeza e temperamento foi chamado de Boanerges: filhos do trovão.
- Na verdade essas mudanças foram feitas baseadas nas mudanças e nos temperamentos de cada um deles.
- Geralmente quando nos achegamos a Cristo trazemos em nós características positivas e negativas que poderão ser mantidas e intensificadas, ou trabalhadas para que hajam mudanças em nós.
- Na verdade todos nós precisamos de mudanças profundas em nossa vida.
- E precisamos que Cristo trabalhe em nós e por nós nesse sentido.
- Quem sabe você não entende porque algumas coisas são tão intensificadas em sua vida. Faz-se necessário, não a aceitação,mas, buscarmos entender o porque isso acontece e pedirmos pra Jesus transformar a nossa vida segundo o seu querer.
- Isso ocorreu com os discípulos nos três anos que ficaram com Jesus. Todos eles, a não ser Judas, foram trabalhados de maneira que aqueles medrosos fujões no dia em que Jesus foi traído, tornaram-se valentes pregadores ao ponto de morrerem pela causa que abraçaram.
- Homens comuns, mas transformados por Jesus em portadores de uma mensagem transformadora que chegou até nós até os dias de hoje.

Conclusão:


Ao olharmos para a vida dos discípulos de cristo não vemos nada de incomum. Na verdade, os fies discípulos de Jesus eram homens comuns que se tornaram extraordinários por causa de Cristo. Apesar da confusão e falta de entendimento desses homens durante a vida terrena de Jesus, eles se tornaram poderosas testemunhas da ressurreição do mestre. A vida deles foi transformada pelo poder de Deus. Mas a verdade é que a história dos discípulos de Jesus não se finda nos evangelhos, ela continua no livro de Atos e em muitas outras cartas chegando até os nossos dias, através dos inúmeros discípulos de Cristo que estão espalhados pela face da terra. Você é um deles?


Pr. Fábio Ramos

IPR- de Marília-SP

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